11.10.2009
Frente de Libertação Caramela
Esconderijo projectado à malhada do aceiro do Ti Toino Desinxaugado
Comando Central para a Liberdade da Cultura Caramela (CCLCC)
Exma Prasidenta da Sede Palmelona, Ana Taresa Bicente
Bocemecê dá licença? Atão como é que éi?
Samos a gente da Frente de Libertação Caramela (FLC), os homes e mulheres que lutam pela soberania e auto determinação da Cultura Caramela. Samos balentemente conhecidos pelas incursões clandestinas im prol do pobo caramelo impunhando apenas, um naperon branco, uma saca de ração pá bicheza e um rolo de fita cola do marcado mensal, coisa que muita gente nunca foi capaz de fazer, nim nada.
A gente tá a escraber esta carta… e só pa bocemecê ber o nibel, escrebe um de cada bez: ora escrebo eu ora ecrebe ele, ora escrebe o Albino dos Ácaros, ora escrebe ela, odepois escrebemos todos juntos, engalfinhados uns nos outros porque temos muito pra dizer e só temos esta máquina de escreber pra trinta braços e 20 mãos (malta da fugetaige, tá-se a ber!). Tudo isto pra dizer a bocemecê que a gente tá a escreber esta carta à luz do pitroil e o que a seguir bamos determinar éi dito im boz alta por todos ao mesmo tempo, tal é a cuncórdia aqui da grei caramela.
Atão éi assim:
Im primeiros, através dos nossos radares de alguidar da Cunpratiba, tamos a olserbar de perto a sua recontinuação na chefia do edil camarário. Abisamos já que o monte palmelão tá rodeado até-mais-não das milícias mais brabias (recrutadas cum balentia dentro da Vala da Salgueirinha), sempre prontas a abançar ao mínimo sinal de teor anti-caramelo.
Im segundos, a FLC, sem se pôr na ponta dos chispes, é a que ajunta maior cagulo de qualidades ruralo-metropolitanas, e cunsidera-se soberana dos destinos do Pobo Caramelo, que se debe manter selbaige e libre como o vento da Socel. No intanto respeita a Sede dos Paços do Concelho, assim como a bocemecê, e estamos prontos a negociar de forma desinçaimada.
Im seguida temos a abisar que essa maniazinha de bocemecê dizer que o nosso binho é de Palmela nã tem trambelho nhum, toda a gente sabe (até a gaiateige parba que anda à formiga d’asa pa armar ós pássaros) que o binho é 100% caramelo. Não há que inganar. Além disso a Cidade do Binho nã é nim im Palmela nim im porra nhuma, éi im Fernando Pó e mais nada.
Ó despois, tal como a gente se ajuntámos agora à bolta da máquina de escreber, bocêzes tamém debem ter o costume de se ajuntar uns amais os outros. No intanto sabemos que neste momento têm amais bocês um home nobo que dá pelo nome de Albaro (que éi só o intigo parsidente da Capital Caramela! – Pinhal Nobo). Tratim bem desse home, deixem o home buer mines e traçar coirato à buntade, mesmo quando está im trabalho. A ber se ele nã se esquece das suas ancestrais raízes caramelas. Bamos estar a olserbar de geada a geada, disfarçados de gaveta aparbalhada (daquelas que nã querim fechar nim ó pontapé), pra berificar se o home é bem tratado.
Mais ainda, se o actual parsidente da Capital Caramela (digitalizado im cirimóina no dia 28 pelas 21:30), der a bocê, de bez im quando, uma punhada pas costas, não lebe isso a mal pois mais não é do que uma expressão brabia de elevada afectibidade caramela. Mais, se o home im causa, com os olhos arregalados a brilhar, abrir uma nabalhita à su frente, não chame a Guarda, porque isso mais não éi do que um acto expontâneo-gastronómico e cuncerteza se olhar bem à su bolta, bai incontrar pelo menos uma maçã riscadinha pronta a ser desnabalhada. Isto são só alguns abisos para um saudável cunbibio autárquico. Se tiber dúbidas im relação ao fitio do parsidente do Pinhal Novo, não hesite im cuntactar a gente, por código morse im pitromax (minsaige nocturna) ou pombo-correio (minsaige diurna), ca gente desundubida bocemecê.
Muitas coisas a FLC tem pa dzer, assim como só por exemplos, que a Torre da Estação da capital poderá ser ocupada a todo o momento por pelotões mais brabios, com o fim transformatibo de fazer dela um posto de lançamento de foguetaige rija dos Círios da Carregueira. Já agora, sim carer ser aborrecidos como a canzoada a ganir im frente à rulote da bacina municipal, era de balor óbir da sua boca que todo o caramelo ou caramela, mesmo a morar num arranha céus, tem direito a um padaço de terra e um carrinho de mão.
Balentemente atentos à sua pessoa,
Sim mais nada daqui prá í,
Cuntentes por este cuntacto chegar às suas mãos,
A gente bê-se por alturas da Feira de Maio.
Quintal desactivado do Café Satélite, sob a primeira geada do Outono de 2009,
Embaixador do Vale dos Barris e resto de Palmela,
Albano da Motosserra
Nota: Esta carta foi realmente inbiada, por correio normal, por alturas da cerimóina de digitalização do cargo im questão e só depois (que é agora) é que a tamos a botar para consulta e conhecimento do pobo caramelo.
A FLC, às bossas ordens.
9.25.2009
Nobo libro de Toino das Ideias Parbas tá quase pronto
Não é uma notícia qualquer! Não é um home qualquer! Não são pinsamentos qualqueres! Não debe de ser um libro qualquer! No intanto, éi para qualquer um ler, pelo menos esta éi a opinião do seu autor.
Apresentamos aqui, de forma inédita, um excerto do 3º capítulo do novo livro do mais conceituado filósofo caramelo da actualidade:
3 homes à cunbersa na parte de fora de uma colectibidade im qualquer lado da caramelândia . Um banco corrido, duas motorizadas estacionadas, várias mines vazias, a tarde aquase noite.
- biram aquilo onte?
-bimos.
-óbiram?
-óbimos.
-o queira?
-nã sei.
-ê cá tamém na sei.
-atão mas nã biram?
-bimos
-Atão mas na óbiram?
-óbimos.
- e atão o queira?
- na sabemos.
-na sabem?!! Atão mas se biram e óbiram!
- sim, bimos é óbimos.
- ahhh, atão sabim!
- sabemos o quêi?
- que biram e óbiram.
- sim, sabemos.
- atão o quéira?
- na sei
-na sei.
- Tal tá a merda! Atão tão parbos? Dizem que sim e ódepois não?
-Tu éi quês parbo, sabemos que bimos e óbimos mas nã sabemos o que bimos e óbimos.
-ahhh, óbiram sem ber e biram sem óbir!
-mais ó menos isso, mas nim uma coisa, nim outra.
- atão mas éi possibél óbir sim ber e ber sim óbir, tudo ó mesmo tempo?
-nã sei
-nã sei.
-Mau, tal tá a porra da merda, hãin? Dizem que sim, sim dzer que não e que não, sim dzer que sim?!!
- Atão tar parado nã éi o mesmo que tár andar e tár andar nã éi o mesmo que tár parado?
- O quêi?!!!! (os otros dois em coro, ajuntados agora o que perguntava e um dos que dizia nã sei, agora juntos fazendo parguntas ao outro dos que primeiro respondia nã sei, agora sozinho e alvo das perguntas desintrambelhadas dos outros dois).
- sim, atão na dizem ca Terra anda á roda e ca gente anda sempre nela tipo carrossel?
-?!!!!!!!!??!!!!
(os otros dois em silêncio emparbalhado, a olhar para o outro já desconfiados e quase prontos para garrearem com as mãos fechadas, respondem)
- ái éi? atão se fosse assim, lá era praciso haber a feira de Maio e pôr os gaiatos nos carrósseis? E nim era praciso buer mines de litro pa ficarmos tontos, se essa ideia parba da terra andar à roda fosse de bardade.
- Tou a dzer, aprindi na escola.
-Tás parbo.
-não tou
-tás
-Nã tou
-tás!!!
-não tou, bócês éi que tão, nim sabem nadinha, nim metade do quê sei, nim merda nenhuma!
- queres andar à punhada ca gente, pã ber se a terra anda á roda ó seis tu que andas a rabolar pú chão?
-se quiserem, podim começar, bamos ber quim rabola ou quim arroja pú chão, comós sacos de batata noba!
(…)
Puderam atão ler um pequeno excerto do nobo libro do Toino das Ideias Parbas, mais precisamente do 3º capítulo, intitulado a Problemática da Ilusão dos Sentidos, onde o autor introduz a temática através de simples conversas quotidianas, aparentemente banais, mas segundo ele, “rapletas de conduto filosófico de lamber os beiços e chorar por mais”.
De realçar que o título do livro será (se entretanto o Toino não mudar de ideias) O Pensamento Filosófico dos Caramelos nos Diálogos Populares do Quotidiano do Dia a Dia Actual.
A FLC sabe que esta obra foi realizada só com base em “diálogos, cunbersas e debates-garreias” que o Toino durante dois anos, foi escutando por toda a caramelândia, a maior parte deles em Colectibidades, Sedes de Ranchos Folclóricos, Cafés e à porta de lojas e mercearias e que depois lhe serviram de base de estudo, colocando em prática pela primeira vez uma teoria há muito defendida por si: a de que todos os homes têm um filósofo inibido dentro de si e que muitas vezes esse filósofo só sai cá para fora a toque de mines e conbibio intra-caramelo tarde-noite (a)fora (teve uma bolsa do Ministério Caramelo da Cultura que lhe subsidiou as muitas rodadas que teve de pagar durante os dois anos de investigação).
Através dos diversos diálogos oubidos na Carreguera, Palhota, Fonte da Vaca, Forninho e por aí adiante, o nosso filósofo exercita-se com rara mestria e delicia-nos com vastas divagações sobre temas que lhe são caros desde sempre: o realismo campestró-colectibo- anti-latifundiário; os príncipios do pinsamento caramelo neo-contemporâneo, a dialéctica selvagem da punhada-recreativa, o homo meio-bidonistico, o pós-existêncialismo agro-pecuário, entre outros temas apaixonantes e de grande interesse para o público caramelo, mostrando um pensamento cada vez mais luminoso e intelectuo-encantatório.
Com os simples diálogos populares (que são sempre a introdução dos capítulos) o Toino quer provar que todos temos conversas filosóficas e que elas estão por toda a parte e que o homo-caramelus, mantém as mesmas dúvidas existenciais que os seus ancestrais antepassados.
Por ultimo, este novo livro também apresenta a sua nova área de estudo, complexa e simples ao mesmo tempo (um tema apaixonante, segundo Florindo Introspectibo, o autor do prefácio do livro), O Carrossel da Terra bersus os Carrósseis da feira de Maio, o qual versa sobre a teoria geocêntrica (éi a Terra c'anda!) e a teoria heliocêntrica (éi o Sol c'anda!), sobre “a ilusão dos sentidos-parbos” e a recusa natural de um pobo em não aceitar aquilo que não bê, um tema que o Toino das Ideias Parvas tinha há muito recalcado dentro de si, pois foi esta temática a razão dos primeiros tareões com cinto que o seu pai lhe deu, quando se apercebeu que o seu filho em vez de se dedicar às lides agrárias e ver se o motor de rega tába a trabalhar em condições, “só tinha ideias parbas e ficaba aquase inbalsamado, durante horas a olhar pó céu de noite, a ber se sintia a terra andar à roda”.
Um livro que a FLC recomenda totalmente (talvez o melhor livro já aqui apresentado até hoje), disponível a partir de Outubro no Marcado do Pinhal Nobo, nas sedes dos Ranchos Folclóricos, Juntas de Freguesias e nos circuitos clandestinos da cultura caramela.
A não perder, para ler e reler!
9.10.2009
Ora bem, uma bez na Feira de Maio da capital, os homes dos carros de choque anunciaram no altifalante que o seu chefe (o que só bende fichas, na faz mais nada, ele é que manda) oferecia uma recompensa por quem lhe desse alguns dentes que lhe faltabam na sua cramalheira, o home caria traçar torresmos e torrão d’alicante e nã cunseguia. Eu, manhoso coma ciganaige do Marcado do Pinhal Nobo, tratei de pricurar o que eles dabam im troca: um dente de ouro, uma balente sacada de fichas amais andar num carro de choque artilhado sempre que quisesse. Nim pinsei duas bezes. Disse que oferecia os mês dentes todos (aqui inganeio-os, pois eles já nã eram muitos, só por causa disto, bamos buer atão a abaladiça!). Lebaram-me ó chefe lá na cabina, abri a boca, ele pôs uns óculos de ber ó perto, olserbou cá par dentro e disse: são mesmo esses que eu procurava!; já mos cariam arrancar logo ali com uma gazua de assentar o chão da pista, mas eu apanhei medo e disse que no outro dia lá estaria com os dentes.
O Babuíno Aluado (grande inventor caramelo) também já tá todo intusisamado e já deu esta ideia: montar uns andaimes im forma de torre bertical, com uma altura nunca bista na caramelândia, mais alta do que daqui-ali (levanta-se e aponta lá pó longe com o dedo esticado, nim ele sabe bem para onde), secalhar atei mais! De dia cobre-se com um oleado por cima e pede-se a um home-artista da terra para pintar umas estrelas na parte de dentro pa inganar a gaiataige e à noite destapa-se o oliado e lá do alto, olserbamos as estrelas aquaise a tocar nelas e tamém se quisermos, pode serbir de farol, pás motorizadas que andam à noite de colectibidade im colectibidade por essa caramelândia afora, se guiarem, sabendo sempre onde são os Olhos d’Áuga (nesta altura o canito já dorme, a paraige éi agora apenas mais um vulto na escura noite). Entretanto ouvem-se passadas na gravilha. Alguém se aproxima com um pitromax, éi o Florindo Paleolítico, que se assenta ao nosso lado. O Berto da Cramalheira, feliz e aquase inbalsamado pelas médias que já inborcou diz-lhe “bens mesmo a horas, ia propor a abaladiça!”. Buemos atão a última, desta vez em silêncio individual.
A paraige das caminetas fica para trás. Sobre nós o infinito céu estrelado, belo como milhares de meios-bidons im chamas.
8.25.2009
Cá está o Nidberto da Cramalheira amais a Ti Juila Espezinhada, os dois assintados na Paraige das Caminetas. O Nidberto pinsaba que quem taba a tirar a kodak eram homes do Jornal do Pinhal Nobo e por isso tapou a dintadura. A Ti Juila tába na hora d'almoço, a aprobeitar pa cozer umas ciroulas antes d'ir abrir a Marcearia .8.23.2009
Dito isto (já íamos na quinta grade de médias), o Nidberto da Cramalheira foi direito ao assunto, prestem bem atenção agora, que ele bai falar mesmo rápido:”atão a nha neta beio de lá de Lisboa a dzer que biu as estrelas dentro de uma casa que lá o céu éi lindo como nunca tinha bisto eu parguntei-lhe se taba parba se foi lá de dia de dia nã há estrelas ela disse que não dentro da tal casa taba de noite eu disse tás parba e dei-lhe uma balente galheta nos quexos ela atei andou pú chão ficou a chorar e foi dizer à mãe a mãe dela (nha filha, Anacleta Imborcatiba) disse ó marido (ao Alcindo Escabador) e ele beio parguntar o quéi-que se passou eu disse que a gaiata tá parba ele disse-me párbo tá bócê ainda nos ingalfanhámos à punhada na rua os dois a rabolar por cima do intulho pós porcos bofatada e pontapéi a coisa acalmou ele foi à bida dele e eu á minha e eu ódepois atéi tibe pena da gaiata (aqui parou pa puxar ar e surbia pa dentro do corpo-vasilhame e arrincou outra bez o relato). Pus-me a pinsar fui à colectibidade pinsei a tarde toda e disse: atão ela aicha que lá as estrelas eí que são bonitas pois bai ber as nossas mais dó-pé tão perto que atei a bão incandiar e bai ber que as estrelas no céu da caramelândia éi que são as más lindas do mundo. Já tenho um plano (aqui abançámos pá sexta grade, esta taba na parte de trás da paraige, debaixo de umas silvas) falei com o Babuíno Aluado (inventor caramelo, também já entrevistado pela FLC), ele bai-me ajudar na ideia e agora só éi praciso dinheiro. Por isso tibe a ideia de leiloar a minha cramalheira de ouro puro que tantos inbejam e que bale uma furtuna. Fico sim dentes, mas com dinheiro para inbestir. Olhos de Áuga há de ter o primeiro olserbador da estrelaria de toda a caramelândia, e a nha neta bai ser a dona-gerente-utilizadora do estáminé, bai ser a nha herança par ela” (os olhos brilham pela primeira vez mais do que os dentes, as médias imborcam-se como caracóis com pão cum manteiga).
A conbersa bai longa. No horizonte da paraige, o sol caramelo começa a dar as últimas labaredas. Por aqui diz-se que são os raios do horizonte abaladiço. Normalmente é o pretexto para a(s) última(s) abaladiça(s) dos homes da terra, reunidos em pequenos grupos na Colectibidade e às vezes à porta da mercearia da Ti Juila Espezinhada. Também o Nelo nos diz:”bamos atão à abaladiça?” e saca de mais uma grade de médias (já bão 8 a dibidir por três homes). Antes de arrancar para mais uma parte da história, limpa a garganta e as vias nazais, fazendo sair da boca uma bela lasca de cor esverdeada e formato ligeiramente arredondado, a qual o canito sempre atento nem deixou cair no chão. Olhou orgulhoso pó canito e disse: “atão bou contar o resto, já éi de noite, mas tá agradábel, gosto de conbersar ao ralento selbaige da nha terra.
8.17.2009
Entrevistas a homes e mulheres de referência na grei caramela, que muitas vezes passam do anonimato às bocas do povo, simplesmente porque o marecem.
É este o caso do nosso actual entrebistado, um home crú, orgulhoso das suas raízes, um home em contínua transformação, um alquimista, capaz de transformar o ouro em estrelas…
Mais uma vez a FLC em grande entrevista. Fomos ao taparuer escondido atrás do frigorifico do nosso esconderijo actual e de lá retirámos o suficiente para atestar o depósito da motorizada de serviço e mais algum para umas mines, caso a entrebista para aí se albergasse. Almoçámos bem. Um balente arroto em uníssono (quanto mais alto e prolongado maior a satisfação digestiba) marcou o arranque da máquina a motor e consequentemente da biaige direitos ao nosso entrebistado. O esconderijo ficou para trás, o destino agora é outro: Olhos de Água, terra aberta ao sol e à heróica brabeza dos seus habitantes.
8.03.2009
Compre, venda, troque, ofereça, pricure
Edição especial de verão- só para coleccionadores
Compro naperons antigos, nobos e belhos (Nã é praciso tirar os naperons dos móbeis, bou a casa ber se bale a pena, a maior parte das bezes nim bale a pena gastar gasóile)
Contacto: Guilherme Jibóia (Lau)
Troco retroescavadora usada por placa da câmara com alvará municipal para vazar entulho. Contacto: Julinho do Entulho
Compro pentes de bolso e navalhas de podar a vinha.
Contacto:Mariano Maquinista (pinhal novo)
Vendo gravações áudio (cassetes pa óbir no rádio) com o som do
fogo rijo da festa da atalaia, anos 1991 e 1993.
Vendo cagatório à antiga portuguesa (estilo retrete de cócoras) já bastante usada, mas em muito bom estado. Só para coleccionadores. Oferta de dois esfregões palha de aço, uma escova de arame e meio jerrican de produto-criolina pa desincardir e dar brilho.
Contacto: Armanda Arganaça (sou a dona da mercearia Compra e Põe-te ao Fresco, nos Arraiados)
Vendo pedras da linha do antigo ramal pinhal novo-montijo ao kilo. São mesmo as originais. Boas para ornamentar qualquer coisa, ou para guardar no armário (cada bez bão balorizar mais). Motivo: já nã tenho espaço im casa.
Troco motor de rega casero por Zundapp noba amais o capacete. Só aceito se for noba, o motor de rega éi balente, atei suga a áuga da bala da merda.
Contacto: Ti Marta Garganera (Palhota)
Troco o primeiro livro clandestino do Toino das Ideias Parbas “o Infinito éi um tractor agrícola”(edição fotocopiada às escondidas, na sede do Rancho da Lagoa da Palha, pelo próprio autor), por 6 ou 7 garrafas de Vinho da Cascalhera, do ano passado ou atão por 8 grades de médias. Perguntem pelo Quintino da Sapec no Café América.
Vendo cartazes antigos do cinema da SFUA.
6.04.2009
FLC SAI DA TOCA PRÁS FESTAS
Nããã. Nada disso. A FLC tem andado mazé em actibidades diplomáticas pra elebar a cultura caramela a uma das sete marabilhas do mundo. Neste tempo de ausêiça conseguimos subir 400 posições ficando à frente da cultura neo-aparbalhada das calças pinduradas pas nalgas abaixo a ver-se o rego com cutão.
Mas não é do cutão no rego que a gente bai falar hoije. Éi das festas caramelas que estão aí a arrebentar que nem um patardo, capazes de cegar um home.
É por isso que as facções brabias da FLC saim da toca e bão prá rua berificar o bom corrimento das festibidades e afins. Por isso segue-se já sim demoras o nosso pograma de actibidades clandestinas:
Dia 8, Segunda:
6:30h – Alborada. Olserbação dos toiros da largada a pastar no seu habitat natural.
12:00h – Audição atenta da sirene dos bombeiros.
12:01h – Um silêncio parbo cum home fica logo com fome.
19:30h – Telefonema aos GNR a abisar que só faltam 24h pró rebentamento das festibidades e abisar que “as festas caramelas nã se fazim sim a GNR andar a inxotar a malta dum lado pró outro”.
Dia 9, Terça:
5:00h – Alborada e olserbação dos primeiros raios de sol a penetrarem no territóiro caramelo e apanha do feijão prá sopa caramela.
10:00h - Contaige dos barris de imparial a rebolarem Pátio Caramelo adentro e primeiras provas em canecas de litro.
12:00h – Espectáculo sinfónico da sirene dos bombeiros e momento de largar gasearia que ninguém oube.
18:00h – Contaige de gerricans de tinto, clandestinos, a intrarem no recinto festibo e acendimento oficial dos meio-bidons com querosene caté o bombeiro-estátua (na rotunda do LIDL) apanha medo.
20:29h – Carregamento de floberes (com chumbo calibrado), pra atirar às nalgas das Entidades Oficiais na inauguração das festas como forma de boas bindas ao ebento.
(É importante esclarecer que o “chumbo pas nalgas” é uma das massaiges com flober mais eficazes no mundo caramelo: faz activar a circulação sanguínea, põe uma pessoa mais esperta e cuncentrada no mundo que a rodeia, cura a sonolência aguda, estimula o sistema nerboso e a estima pelo corpo (nalgas), dá força pra bincer os infortúnios da bida e, entre muito mais curas, melhora a digestão da sopa caramela).
21:00h – Abertura oficial da primeira rodada de impariais e arranque do maior caramelizatório do mundo: as Festas Populares do Pinhal Novo 2009.
Só gente caramela como o nosso pobo,
3.06.2009
O lançamento do livro vai ser no próximo sábado, dia 14 de Março, por bolta das 14h00 em frente à biblioteca de Pinhal Novo, e segundo Alcindo Escabador, o organizador do evento, a organização não se responsabiliza se alguns exemplares forem lançados selbáticamente por alguns fãns da Ti Balbina, “de incontro às montras da biblioteca im sinal de justo protesto por este estaminé da pseudo-cultura caramela nã ter sequer um único livro do maior bulto actual da poesia caramela contemporânea, e de nunca ter pricurado saber alguma coisa sobre a sua obra”.
Tal como aconteceu na sua obra anterior “"Poesia com Chispes de Luz", o prefácio vai ser da autoria do António Estalisnau Tarimba (mais conhecido por Toino das Ideias Parbas).
Deixamos aqui um pequeno excerto do que o Toino escrebeu: “Nesta nova obra, a Ti Balbina Acocorada prossegue a sua doce depuração de uma Poesia sensitivo-rude, de tradição feminista selbagem, que nos embala num regresso à nossa alma gémea caramela, que é afinal uma só. Li Sou os chispes da minha alma de uma assintada num acero descampado perto do Lau e absorbi a essência natural das suas palabras mágicas. Debo dizer que Ti Balbina canta o mundo e o molda à sua pessoa e nos insina o simples das palabras. Atrabés das metáforas e das segundas palabras-sentidos, é capaz de nos fazer oubir as motorizadas da nossa infância (em escape libre), de nos fazer ber (e cheirar) o pitróile do intigamente.
Ela escrebe poesia como quem bende hortelã e óregãos (em ramáiges ainda frescas) na rafórma agráira, é a boz caramela mais pura e actual, um refrão inbisibél mas acústico, uma mulher malina que não procura a fama e faz da obscuridade a luz clandestina da sua criação artístico-rural.
A sua poesia de alta radiação caramela é como criolina a desincardir os nossos obidos, uma labaige à cera do pensamento, elebando-nos a caramelos-gaiatos-quase-parbos em liberdade total, com a alma nos chispes.
Balintia é o mê nome
Tenho os chispes
im brasa
tenho bico
Na asa
Tenho fijão de molho
E biajo sempre de motorizada
Sou mulher rija
E malina
Nã tenho cadija
O mê nome é ti balbina
Fui escriturária e
Pé descalça
Ainda bou à raforma agráira
Nunca usei calça
É domingo:
Bou ao marcado
Tenho cabalo dado
Nunca lhe olhei pó dente
Nim usei datargente
Sou balente
Sou malina
Bou ó cagatóiro
Nunca usei
supositóiro
Sou a Ti Balbina
Se for praciso
bebo criolina
Sou acocorada e
Às bezes malcriada
Antes só
do que mal acumpanhada
Bou mímbóra
Bou desinfetar a basilha
Bou buer áuga e grabilha
Gosto da bicheza brabia
Como ratos e nã me dá azia
Bou ao urinol como ós homes
Ponho-me de cócoras
E nã uso pedra pomes
Esgrabato à parba
Bebo binho
E nã desidrato
Fiz de mim própria selbaige
Mas escolhi a minha biaige
Bou mimbora bou partir
A mim éi que
nã mapanham a dormir
Poemas retirados do novo livro “Sou os chispes da minha alma”
2.24.2009
CARNABAL 2009
Com medo que o corso fosse pequeno, a GNR decidiu, este ano, participar com um dos seus carros alegóricos. Os foliões bestidos a rigor com colete florescente, abriam alas com coreografias centrífugas. Mas nada que chegue ao nível do Rancho Folclórico das Lagameças.
Os bardoada, atiçados pela FLC, mantêm a sua luta contra a música importada do Brasil que teima em sair das aparelhaiges palmelonas (como forma de boicotar o cortejo). Aqui nesta imaige podemos ber como eles trazem à gente o ritmo caramelo que tanto apreciamos.
Este ano dedicado à etnografia, convinha dar ao corso uma interpretação caramela. Por isso, qualquer que seja o povo representado, ele não sai deste carnabal incólume. Aqui pode-se ber a Cleopatra com um jerrican de binho da Cascalheira, mascarado de relicário.
Aqui é uma holandesa com ares de caramela da Palhota.
A FLC, não se responsabiliza por este momento. Não era assim que estava combinado.
A primeira aparição genuínamente caramela:
uma pudaleira-alegórica com elementos rurais. Olserbem as ramaiges ao volante.
Alem das ramaiges, leba atrás um cabaz da loja dos chineses com produtos bariados. Como a qualidade do cabaz não garante que que o conteúdo chegue ao fim do corso, é preciso um segundo caramelo para vigiar e manter a estabilidade. A evolução do povo holandês depende destas sugestões.
O carro alegórico dos Amigos de Baco, com um foguetão(??) feito de canas.
A FLC tem na forja o projecto dum corso carnabalesco dedicado só ao carrinho de mão. O que seria um caramelo sem um carrinho de mão? Como teria ele feito a maior binha do mundo sem carrinhos de mão? Como é que se transporta as hortaliças de um lado para o outro? Enfim...
Lá vai ele destemido.

Uma alusão ao caso Freeport e à crise, com um toque arquitectónico de um pombal.

As motarizadas em grande estilo. Já deram mais de mil voltas à Caramelândia e ainda estão aqui para dar mais uma volta ao Parque José Maria dos Santos. Nesta imaige está a acontecer uma rábula do "pegas ou não pegas, hã?" ... e ela pega ou não pega.
Vai um despique de roda im pei? Librete contra librete.
A Banda da SFUJA uma banda que, tal como os Bardoada, toca tamém músicas cá das nossas. O maestro vai com as nalgas ao leu, o coreto vai superlotado, e os instrumentos são oriundos da Canofer e da Drogaria Alegria.
O carro dos alentejanos é, na berdade, um autocarro da FLC, sempre de fogareiro aceso com coirato em fumaça. A FLC utiliza este beículo para fazer excursões aos charcos mais históricos da Caramelândia. As cadeiras eram do antigo cinema da SFUA.
É bom que se veja que o beículo está equipado com um belo de um sobreiro para fazer sombra e o chofer usa uma técnica de condução dos carrinhos de rolamentos.
E finalmente o último modelo do comboio caramelo. O tal que nos acompanha em todos os carnavais. Só que de uns anos para os outros a evolução é tal que nem a CIA nem a KGB conseguem acompanhar (andam todos almariados numa guerra pra saber como é que isto se faz). Nesta codáque ninguém cunsegue saber adonde começa nem adonde acaba este cumboio. Vamos por partes...
Aqui é visto de frente a fazer uma curva em alta belocidade. Pode-se ber que possui dois andares...
A carruaige de trás é mais reserbada à leitura e ao combibio, sendo o andar de cima destinado à gaiataige.
E a locomotiva, com o respectivo maquinista e todos os apetrechos.
Uma panorâmica geral do ebento, que proba a dimensão que o carnabal caramelo tomou. Esta multidão é a proba do balor do trabalho que alguns caramelos têm tido ao longo dos anos. Assim, os elementos da FLC prestam aqui homenagem ao Gonçalves, o maior dos foliões, que muito trabalhou para que o carnabal do Pinhal Nobo se tornasse no que é hoije. Ao Gonçalves, que nos deixou, estará sempre com a gente, e onde o humor caramelo estiber. Uma salva de patardos.
